sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Letras malandras: ce e ci

Onde entra o E e o I, instala-se a confusão:
Lê-se de forma diferente a letra que era do cão,
Da casa, da Catarina, do cuco e do camião.

Acontece na cebola, no circo e na polícia,
No cinema, na cenoura, na bacia e na notícia,
No centeio, na cevada e no nome da Patrícia.

É assim no capacete, na vacina e no cimento,
Na cereja, no doce, no cem e no cinzento,
No fácil e na hélice que levam acento.

Ana Godinho

al el il ol ul

De mão dada com a vogal, está o L, tal e qual:
No jornal, no avental, no balde e no animal,
Na almofada, no sal, no almoço e no quintal.
Estão também no Daniel, na Elvira e no papel,
Na melga, no carrossel, na relva e no anel,
Já para não falar no mel, no pincel e no pastel.
Às vezes estão no barril, na Ilda e no funil,
Na cor anil, no cantil, no mil e no tamboril,
No Gil que no mês de Abril viajou para o Brasil.
Juntos vão ao futebol e ouvem o rouxinol,
Podes vê-los no farol, no sol e no caracol,
Na volta do girassol que se vira para o sol.
Por último, podem esconder-se na multa e no azul,
Na pulga, na multidão e no bolso do Raul
Ou no nome da Zulmira que morava lá no Sul.
Ana Godinho

Grandes números!

Não é fácil a leitura
Dos números quando eles crescem.
Ainda quando são pequenos,
A gente lê mais ou menos,
Mas é tarefa bem dura
Quando os zeros aparecem.

Quando não sabemos bem,
Parece que é complicado!
A dezena vale dez,
Como os dedos dos teus pés.
A centena vale cem,
Com dois zeros, lado a lado.

Como se já não custasse
Não poder contar feijões,
Para evitar desordens,
Às vezes lê-se por ordens.
Outras vezes é por classe
E vai até aos milhões!

Por ordens, vais começar
Pelo número da direita:
A unidade e a dezena,
A seguir vem a centena,
E logo atrás o milhar,
Já está mesmo ali à espreita.

Como se isso não bastasse,
Temos que saber ainda mais:
Os milhares que lá estão
E unidades, quantas são.
Assim é contar por classe
E ainda há os decimais:

Com vírgula a separar,
Não vá haver confusão,
Aparece então a décima,
A centésima e a milésima.
Para não atrapalhar
Deixamos fora o milhão…
Ana Godinho

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Família de palavras: chuva

Perdi uma luva
num dia de chuva.
Ao amanhecer
começou a chover.
Fugiu o pisco
ao primeiro chuvisco.
Era uma chuvinha,
de manhãzinha,
que virou chuvada
sobre a calçada.
Cai no canteiro,
parece um chuveiro.
Que dia invernoso!
Que dia chuvoso!

sábado, 3 de setembro de 2011

Operações: Adição


Vamos aprender como se faz
Contas de somar, vais ver que és capaz!
Vou-te ensinar, com uma condição:
Vais ter de lhe chamar mesmo adição.

Quando se trata de 2 ou 3,
Faz-se mentalmente, de uma só vez.
Mas se for mais, tens de calcular
De outra maneira e a conta montar.

Diz-se a brincar “pôr a conta em pé”,
Chama-se algoritmo, assim é que é:
Os algarismos alinhadinhos
Uns sobre os outros, bem direitinhos.

Muito importantes são os sinais,
Hoje vamos usar o de mais.
E agora é só fazer a conta:
Um mais o outro e já está pronta!

Estou a brincar porque ainda falta
Aquela parte que custa à malta:
Se o resultado é mais de dez
Guarda a dezena e usa outra vez.

Se, por exemplo, for 32,
Guardas o 3 para depois
E vais somá-lo logo a seguir.
Se for preciso é só repetir.

Ana Godinho

Limpinhos e asseados!


Para andarmos asseados,
Bonitos e perfumados,
Temos de estar bem lavados,
Vestidos e penteados.
Com o banho começa o dia,
Para nos dar energia,
Mas sem água em demasia,
Ou a mãe já se arrelia…
Depois a escova e a pasta
Que a dor de dentes afasta,
Mas só um pouquinho basta,
Senão fica logo gasta!
Pegamos então no pente,
Passamos atrás e à frente,
Para mostrar a toda a gente
Um cabelo atraente.
Se a unha está crescida
Não pode ser esquecida:
Cortamo-la de seguida
Que não deve estar comprida.
E em qualquer situação
Em que haja uma razão,
Manda a boa educação
Lavar as mãos com sabão.
Ana Godinho

A roda dos alimentos


É vê-los ao empurrão pelas fatias da roda,
Os frutos e os legumes e também os vegetais.
À procura de um lugar, cada um se acomoda
Para dar espaço ao leite, à carne e aos cereais.

Nas fatias mais pequenas, a coisa é mais complicada.
A arrumação das gorduras já não é tão amigável!
Diz o azeite para o óleo, com a voz incomodada:
- Ora, toda a gente sabe que não és muito saudável…

Dona água, lá no meio, não quer ficar para trás:
- Tanta discussão para quê? Têm de ser tão barulhentos?
Com tamanha agitação, já estou a ficar com gás…
Há lugar para nós todos na roda dos alimentos!

Dos frutos, em pé de guerra, avança o abacaxi,
Seguido pela meloa, a banana e a romã,
O alperce, a framboesa, a laranja e o quivi,
A cereja e a papaia, o morango e a maçã.

A abóbora lá se encolheu, espaçosa como é,
Para não estragar a alface, o agrião e as beringelas.
A beterraba e a couve que estão mesmo ali ao pé,
Deram um cantinho à salsa e à couve-de-bruxelas.

Então as leguminosas, tão pequenas, estremecem.
O grão-de-bico assustado sussurra para a lentilha:
- Não faças muito barulho, para ver se nos esquecem.
E ficaram encostados, bem juntinho da ervilha.

Do lado dos cereais, estão todos à vontade.
O esparguete e o arroz sorriem ao macarrão.
- Ainda bem que temos um espaço de qualidade! –
Diz, contente, a aletria para o biscoito e o pão.

A febra e a costeleta estão a ver-se bem passadas;
A fatia é bem pequena e não criam confusão.
A vitela e o peru querem virar espetadas
E se a briga continua vão ficar em empadão…

O iogurte e a manteiga, estão com medo de azedar
E as natas mais o leite e o queijo parmesão,
Ficam quietos no seu canto, pois não se querem estragar
E evitam a todo o custo esmagar o requeijão.

E ninguém sabe que a coisa pode ser bem combinada:
A cenoura com a carne, na vitela à jardineira,
A alface e o tomate com pinhões numa salada
E tudo bem temperado com azeite de oliveira.

Ana Godinho